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Eu escreveria o teu nome no céu

Há nomes que eu escreveria no céu. Não que eu me fosse porventura esquecer deles. Talvez eu escolhesse alguns nomes para escrver no céu, com nuvens brancas, para que no mundo real estivessem tão visivelmente presentes como o estão no meu sentir, no meu pesar, no meu concreto imaginário. Não sou eu sem pensar em ti. O teu tu existe-me. E isso vale o que vale, mas vale menos do que já valeu.

Escrever? Só o que sinto!

Não escrevo há um mundo de tempo. Muitas vezes, se não escrevo aqui é porque também não escrevo em papel. Adoro estas músicas. São como a paixão, são como desfrutar do horizonte muito tempo de seguida. Hoje passeei sozinha. Tanto prazer que eu tive. Foi prazeroso. Os meus pensamentos, as minhas vontades, os meus embalos não me afligem, agradam-me. E a paisagem é completamente deliciosa. Passar um mês por aqui haveria sido um marco poderoso, mas não sucedeu.. Paciência! E agora propõem-me seguir para o Porto. Mas não! Eu quero é descanso, amor e sossego. Alentejo é que é à minha medida agora! Comprei um porta-agulhas, para repôr aquele que eu roubei. Dizia o meu tutor "Faz muitas asneiras com educação". Consta que o Senhor é gay.

Por isso sofro

Há um qualquer coisa que me deixa muito e profundamente triste. Uma tristeza por estar cercada e restringida. Estar circunscrita a algo agonia-me. O sentimento de liberdade, aquela liberdade de verdade, daquela que me posso mover e mover e mover, sem fim, com produtividade, com amor, preenchendo as necessidades com a minha pessoa inata faz-me eloquente. Eu não sou isto. Eu não me conheço como isto. Eu não me sei viver como isto. E por isso sofro.

Eu queria.

Eu queria. Eu queria ter um mundo onde eu corresse, ad infinitum. Eu queria ter um sem fim de sonhos, um sem fim de hipóteses. Eu queria. Eu queria sentir, mais do que saber, que moro no mundo e que as barreiras e as limitações não existem. Eu queria mergulhar no mundo como mergulho em mim, infinitamente. Queria conhecer-me a mim. Queria conhecer o mundo como me queria conhecer a mim. E agora vou para o banho, que é para ver se descubro como sou exactamente.
Sinto-me triste e cansada. Finjo não ver razão para isso, mas tenho. Tenho as minhas razõezinhas, entre as quais ir embora da minha casinha. Até deixava ontem admirada a minha amiga por a casa não ser minha. Tem tudo tão ar de arranjado à minha maneira, com os meus modos. Tem tudo tão ar de estar aninhado e perfeito para a minha vida. A minha casinha. Tem os meus móveis, tem os meus livros, o meu espelho. Tem todas as coisas de estética, de maquilhagem e de perfumezinhos. Tem as minhas canetas, os meus lápis, os meus pincéis e as minhas folhas. Tem os meus materiais de tecnologia. Tem a casa do Bichinho. Tem as minhas fotografias na parede. A minha casinha. Isto não teria problema, se eu imaginasse que ia para a minha casona, com os meus pais. Mas as férias vão ser, este ano, como nunca nunca haviam sido! Vou mudar de sítio várias vezes! E para todos esses sítios não posso levar TUDO o que é meu, de coração. Para esses sítios só devo ir com uma mala de viagem, normal, embora eu não vá ...