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Mensagens

Ser fiel a quem não se conhece

E sim, fico triste. Outros tratam-me com o mesmo respeito com que eu me trato. E é assim a vida. E há algumas coisas que sei que não vão ser mais como eram. E essa é uma delas. Quando assumimos um compromisso, fixamo-nos nele. Na minha cabeça não há traições, não há deslizes ou atracções com grande química. Sou fiel, até a quem não conheço. Mesmo que tu não o sejas.
Eu gosto de andar, caminhar, sozinha. Escolher os passos, sozinha, na oração. Compreender o fundamento mais profundo e mais natural ao meu modo de ser. Aquelas coisas que nem só pelo pensamento se chega lá. E procuro-Te para isso. Procuro a Deus para isso. Acalmo os passos, acalmo o andar, os pensamentos, a falsa urgência do falso trabalho, a falsa pressão da falsa necessidade e compreendo-me. No mundo onde a minha alma existe, aquele mundo para onde o meu meu corpo não está a chegar, a saciedade, a paz, a alegria vem com outra urgência. E com outra compreensão. Aquilo que é útil tem outra cara e outro corpo. Aquilo que é útil não se esconde com intenções, com planinhos que não se pode contar. No mundo da minha alma, a sinceridade, a verdade, o não-secretismo existem acima de tudo o mais. Qualquer outro objectivo que os esconda é menos-objectivo e menos-válido e menos-necessário. Qualquer sítio onde o meu corpo queira chegar e para o qual use disso não lhe faz proveito. Um bocadinho co...

Aceitar o contributo dos outros

Como um festim, sozinha, à mesa. Aceitar o contributo dos outros para o meu festim, mesmo que medíocre ou irregular. Não me sentir sozinha é aceitar. Não me sentir sozinha é não exigir o impensável. Simples como a pomba, astuta como a raposa. E tenho o direito ao choro, às lágrimas. E a depender dos abraços. Sou humana, sou sensível. A minha verdade é também pelo sentimento. E a tua verdade? É a tua verdade que falta ao meu festim. A tua verdade podre, medíocre e sem sentimento. Mas... os festins são actos sociais. Para quê ter o melhor do meu mundo, da minha vida, a pensar em ti , se a tua verdade não existe?

O concreto

Sinto-me cheia de vazio. Ideias em reboliço grandinho. Vamos correr ao monte, descer com vontade, subir em rompante. Correr sem pressa, sem parar, com certezas. Eu vou. Eu estou. Eu sou. Em certeza, sem medos, com tudo o que poderia antever de mim. Isto é aquilo que decorre de mim, igual a mim, desde mim. Eu vou-me, eu sou-me, eu estou-me e sei disso. E tenho isso, com todo o poder que imagino e que já conheço. Não há cair de cadeiras. Não haja marquesas. Haja sims e nãos e saber-se, de facto, a vida concreta.

Nada é. E então?

Nada é. mau nada é constrangedor nada é fútil nada é incómodo nada é vazio nada é utópico nada é inalcançável nada é premiado nada é vergonhoso nada é obrigatório nada é cativante nada é essencial nada é doloroso nada é obtido Tudo é. Assim que o seja, recriado na mente, no coração, na vida. Mas nada é, ainda assim. A não ser que o aceitemos. Parte vazia e oca de mim, que se nega aceitar o nada que é este tudo medíocre. A busca, a busca, a busca, que amarra o nada sem o ver. A busca, a busca, a busca, que não sabe onde é, onde está (mesmo que saiba o que quer). Mas em que ponto está? Em que ponto ficou? E então? Porque não quero ver. Não quero sentir. Não quero confrontar. Porque não vejo solução, não vejo encanto, não vejo remédio. Que pranto. Que ódio, que lágrimas, que soluções. Não sou, nem somos. Anti-companhias, anti-vidas, anti-pazes. Que nada são com. Que nada são sem. Que nada são. Porque não se olham. Porque não vêem. Porque não se lavam.

Com ou sem camisola?

Sabem o que é viver como deve ser? Sabem o que é estar intensamente onde se está, colocado ao máximo em tudo aquilo que se faz e naquilo que se procura, mas sem ficar desconcertado com qualquer desfecho? Não se trata de não se actuar sobre aquilo que se vê e que se tem. Não se trata de não se comprometer com cada passo. Trata-se de aceitar e de amar todo o desfecho. Porque se sabe que se fez tudo em glória e em compreensão. Porque se sabe que se amou muito. Porque se confia que o melhor é dado, para glória. Mas, sobretudo porque se sente que o percurso de amor foi feito em consciência e em amor pela nossa compreensão. E que isso não invalida não amar o desfecho. Não procurar mais ser a maior do que a mais pequena. Não procurar mais ter a glória do que o fracasso. Não se satisfazer mais com a riqueza do que com a pobreza. Abraçar ambas, porque nos vem. Porque nos colocam onde somos, onde estamos. Sermos, como somos, em intensidade, em qualidade, pelo prazer do momento. Em liberdade, em ...