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Deixa-me

Mafalda Veiga e Tiago Bettencourt. Balançar. Deixa-me estar contigo. Deixa-me sentir-te, só mais um tempo. Deixa-me saber da tua força, rasgada, corrompida. Deixa-me ser morta ao teu lado. Deixa-me estar. Ou afasta-te. Finalmente afasta-te. Com grandeza, com podridão, com sabedoria. Deixa-me ser eu. Deixa-me aceitar-me como sou, pequenina. Agora, sim. Não é mais a grandeza que quero. Não é mais o melhor, nem o mais, nem o pouco-mau que procuro. É a terra. É o centro. É a certeza. Enfrentar o falso que criei e que amei. Enfrentar o não-ser que fui. Compreender-me. Amar-me. Não muito, mas na terra. Aquela onde estou, aquela que tenho.
Pensar em ti traz-me paz. O que é insólito.

Que desça sobre nós.

"Àquele que tem, dar-se-á. Àquele que não tem, até aquilo que julga ter ser-lhe-á tirado." A graça desça sobre nós. O Pai desça sobre nós. A luz que nos ilumina que desça sobre nós. Sobre nós que o conhecemos. Sobre nós que o procuramos. Sobre nós que o imaginamos. Sobre nós que não sabemos. E que não procuramos. Mas que, por Ele, ansiamos. A profunda ânsia do encontro. Fechar os olhos e "estar-se", na certeza, na paixão, na confiança, no amor. Como era no princípio, agora e sempre, Ámen.

Ser fiel a quem não se conhece

E sim, fico triste. Outros tratam-me com o mesmo respeito com que eu me trato. E é assim a vida. E há algumas coisas que sei que não vão ser mais como eram. E essa é uma delas. Quando assumimos um compromisso, fixamo-nos nele. Na minha cabeça não há traições, não há deslizes ou atracções com grande química. Sou fiel, até a quem não conheço. Mesmo que tu não o sejas.