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 Sei o que é estar desanimada. E se ver o desânimo que se instala, como se as baterias acabassem. Alimento-me do meu sonho. E alimento-me de saber que, como estão as coisas, não vou conseguir. O silêncio. O silêncio é essencial. E respeito-o quando estou bem. Sonhas muito. E enquanto sonhas e enquanto alimentas o nada de concreto, gastas-te e gastas energia que não investes no proveitoso. Saberes que és capaz basta-te. Até que chega a frustração do facto de não o seres. És o melhor e capaz de tudo, apenas na tua cabeça. Vês uma realidade desfocada. Investe em ti. Investe naquilo que te importa. Investe. Dedica-te. O carinho, a amizade que recebes devem ser concretizados. Até lá não se sabe com  o que contas. E não deves idealizar aquilo que não vês e que não sabes. Porque te consome e te retira a possibilidade de agir sobre. Tenta lembrar-te daquilo que sentias e daquilo que vivias naquele tempo. Tenta colocar-te novamente no tempo de actividade física que te pree...
Sentir, nem que seja por um instante, o universo alinhado. Sentir que toda a asneira errante e flutuante que foi feita nao foi em vao e que se tornou valiosa. Sentir que tudo aquilo que em liberdade e em consciência foi feito nos levou a um outro plano de plenitude. Somos mais porque nos temos. Ainda que em sofrimento e em privação. Ainda que sem nos termos. Ainda que sem nos conhecermos. Que maravilha que é poder conhecer gente, poder ter pessoas que permanecem ao longo dos tempos, ao longo das distâncias, ao longo das experiências. Que bom que é poder ter pessoas. O sentimento de carinho recíproco. Que bom. Congratulo-nos. Sorriso. Sei bem que não nos conhecemos. Sei bem que toda a relação é deturpada e montada em imaginações e em sonhos. E que todo o conhecimento sincero é feito pelo que sentimos, pelo que nos pareceu, muito mais do que alicerçado no concreto. Não nos conhecemos, assumamos. Estavas tão paralisado, nossa! Tão tranquilo, tão pacífico, tão indefeso. Que doçura d...

Dissolver no mundo inteiro

Eu desejo escrever ao mundo inteiro. Substituir este meu sentimento de vazio e de cansaço pela dissoluçao. Saber que entreguei a todos aquilo que era devido. Que nao falhei para com os outros. Dissolver-me com carinho por eles. Pertencer ao mundo e a ele me entregar. Mas o mundo nao cuida legitimamente de nos. O mundo nao existe em tudo, nem com todos. Devemos cuidar de nos quando nos apetece a dissoluçao. Quando nos apetece ser tudo para todos, substituir o mal que sentimos por qualquer outra coisa humana. Quando é isso que vivemos, quando é a isso que nos entregamos, deixamos que a nossa integridade emocional e as nossas necessidades básicas sejam postas em risco. E quem virá de fora cuidar de nós? Quem virá de fora proteger-nos do caminho que queremos para nós? Quem terá coragem de nos fazer frente, naquilo que só a nós diz respeito?

Permitir-se sentir medo do futuro

Sao fugazes os momentos nos quais me permito sentir medo do futuro. Um futuro tao amplo, tao indefinido. Ao inves de sentir possibilidades com a abertura do mundo, sinto medo. E mais uma vez fico presa ao passado, e quero mais do mesmo. Enquanto a vivi, nao foi uma realidade saciante. Mas, enquanto a vivi, foi uma realidade que fui dominando e aprimorando, até sentir conforto estando nela. Fui escolhendo ficar nela até me habituar e até existir real e plenamente nela. Agora que existia em plenitude nela, tal como havia existido em plenitude noutras realidades, sou transposta para outra vida, para outro mundo e outras exigências. Até a dominar e até existir nela em plenitude. E é isso que temo. O tempo de habituaçao. A luta até à plenitude. Até perceber que nada de importante mudou, que nada de importante me foi retirado. Eu existo como sou em toda a parte e o Deus que me acompanha renova as minhas forças. Eu permito que outros entrem em minha vida e renovem as minhas forças. E qua...

Planear mentalente uma nova realidade

Estar aqui nesta realidade e ter que enfrentar, idealizar, melhorar uma outra realidade, muito próxima, mas que se desconhece. É assustador. Sei como vai ser a nova vida, na teoria, mas nao sei se tenho coragem de idealizar como vai ser na realidade. Ter que enfrentar os medos que tenho. Sonhar, idealizar, mellhorar. Sem a conhecer. Planear e decidir. Sao seis meseses deste futuro próximo. O que pretendo descobrir dos outros neste tempo? Que tipo de pessoas quero encontrar, derreter-me com? Quem quero conhecer melhor? É um tempo para mim? Ou um tempo para os receber dos outros? Perante o que sinto, acho que preferia receber dos outros. Acho que preferia conhecer pessoas, sentir delas prazer. Há tanto tempo que nao me delicio nisso. Seria encantandor, nao? No concreto da minha realidade, conheci dos outros quando senti que eu mesma nao era capaz de trazer para o mundo dádivas e, entao, recebia dos outros. Conhecer os outros, permitir que eles escolham e que eles vivam comigo um mun...