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A mostrar mensagens de maio, 2010

Há realidade para além do plano?

E assim se esgota o mundo frente aos meus olhos. Colocar-se a tridimensionalidade de um planeta, de um universo de sonhos, do concreto da vida numa área plana de 12 polegadas. E não me apetece mais mundo. Não que não queira saborear a vida, mas é que... a vida fica demasiado plana assim, aqui, num ecrã. Miserável mundo o meu, que bebe com sede dos cristais planos um mundo que se amplia todos os dias. Miserável mundo meu que acredita que amanhã há sempre mais, mas que se desgasta frente às suas 12 polegadas. Tão somente porque a sede de planeta, de sonhos, da vida não se sacia de modo plano. E assim se esgota o mundo. E, na aridez, se esgota a sede e a vontade de beber. Porque, agarrada ao plano, não lembro o resto.

É o vazio

Eu tinha prometido. Eu tinha prometido que ia ser malvada. Que ia saber o que fazer de mau. Por mais que uma vez, em mais que um panorama, em mais que uma conversa. Eu sabia já o que ia. Mas não, não me fez sentido. Não me faz sentido. Planeio, imagino. Malvadez. Mas não. Distante, mas sincera, mas bondosa. Sem charme, mas eu. Longe da minha vida. Longe de mim, do meu tempo, do meu saber, do meu sentir. Não apareças mais, não buzines mais, não te esfregues mais. Porque a minha dentada já não é de desejo, é de vazio.

Antes

Há amantes que nos elevam o potencial. Há aquelas pessoas que amamos com naturalidade, numa ou noutra fase da nossa vida, e que fazem brotar para fora uma parte de nós. Um desabrochar de uma flor no meio de todo o nosso jardim. Mas um desabrochar fácil e bonito. Interessante e cândido. Algo de profundo que queria sair da caixa. Tudo isso é o que nos importa neste instante, hoje: conhecer de nós mesmos uma flor que ainda não tenha vibrado com o Sol, conhecer de nós mesmos só mais um bocado que possa encantar o mundo. Esse mundo que prometa olhar para nós tal como olhamos para o nosso jardim interior. Hoje, aqui sentada, na penumbra, amo muitos mundos para além do meu. Hoje, aqui sentada, imploro pela vibração que vem de vós e que já me fez florescer em transparência tanta vez. Penso em tudo isto e vibro. Façam-me surgir*. *Antes que eu me apague, se não for pedir muito.

Ainda não sei fazer diferente

Muita trsteza e muito sentimento de solidão de repente. Não devia ser assim para ninguém. Eu escolho tomar decisões e manter-me fiel a elas. Mas é importante a humildade de reponderar; não que se queira assumir que houve um erro de avaliação, mas no amor e na compreensão de que a evolução no-lo pede. Para me manter coerente a outras decisões, tenho que restringir aqui o meu universo. Não poderia ser senão assim, não é verdade? As escolhas como sinal de que se está a viver e não como sinal de que se está a cortar nas possibilidades. Até porque poucas escolhas são drasticamente definitivas, não é? Rastejar (ou ter rastejado) faz-me sentir incrivelmente mal. Olho para mim e lamecho-me. Mas olho para a situação e ainda não sei fazer diferente.

Deixem-me devanear. Imploro.

Já entrevi a minha vida a ampliar-se bem mais do que isto. E caio no mesmo errozinho. Mas agora reconheço-o. Este trabalho árduo satisfaz tão tão pouco o meu intelecto. O meu intelecto passeia e desfruta por completo do ambiente humano, da conquista, da desista, do rodopio humano. Dos telefonemas. Das mensagens. Do tempo que se passa junto. E separado. Mas em desejo. Que flameja, e que arde o papel que eu deveria ler e estudar. É disso que sempre me alimentei. E momentos de glória são aqueles em que se rejubila nisso. É aí que eu sou, é nisso que eu sou. Tudo o resto são devaneios que alicerçam a constância.