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Poder Esquecer...

Poder esquecer que conheci
contigo
o interior antigo da cidade

a tua incerta boca
que corria
nas pontas dos meus seios
e minha face

Poder esquecer que ignorei
contigo
aquilo que quizemos e pensámos

as tuas lentas mãos
que percorriam
a curva dos meus rins
e as pernas que se abrem

Poder esquecer que conheci
contigo
os sítios mais meigos da cidade

os teus dedos que na minha
boca
entravam - percorriam
vorazes - insaciados

Poder esquecer que conheci
contigo
aquilo que escondemos. Não fizemos

a minha língua
no teu baixo ventre
a traçar caminhos que
perdemos

Poder esquecer que conheci
contigo
a recusa de nós...

Que ignorei contigo
tão meigas vontades que esquecemos

De Maria Teresa Horta

Comentários

  1. Luto, por entre o quotidiano agitado, para reconhecer minhas verdadeiras vontades e não deixar nunca que este desejo de não ser mais se apodere de mim.
    Poder lembrar para sempre os instantes em que tudo por mim corria num louco desejo de mais.
    Poder gravar estes instantes de mãos que percorrem tudo sem fim, sem reservas, sem receios.
    Alcançar os espaços sagrados com nossas línguas, meigas, vorazes e insaciadas.
    Quem me dera..
    Quem me dera oferecer meu mundo pela intensidade de tudo isso que esqueces. Quem me dera ousar agora ser feliz e saber o que faço. Quem me dera seguir as vontades que não quero ignorar mais e que vou esquecendo.
    Esqueço-as à velocidade que surgem. Porque a sociedade me deu banho e me lavou a coragem da audácia de ser e de sonhar.

    Sei que não te importas que comente.
    Obrigada pela companhia que nos fazes, aqui no blog.

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